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Cartier Santos: A evolução de um ícone

Cartier Santos. É impossível imaginar a relojoaria contemporânea sem mencionar este exemplo pioneiro.

Recordemos a história de Alberto Santos-Dumont, filho de produtores de café e com um enorme talento para desenvolver máquinas complexas. Em 1906, em Paris, o jovem brasileiro descolou do relvado do Château de Bagatelle.

Voava, então, a uma distância de 60 metros e a uma altitude média de 5 metros. Foi este o primeiro voo de uma aeronave mais pesada do que o ar, sem mecanismos de lançamento, e com uma aterragem controlada, e um feito conhecido por todos.

Menos conhecido é, decerto, o seu contributo para a relojoaria. Santos-Dumont era amigo de Louis Cartier. Este desenvolveu, em 1904 – desconhece-se se a seu pedido ou não –, aquele que veio a tornar-se o primeiro relógio de pulso e o primeiro relógio para pilotos. Era seu objetivo que Santos-Dumont pudesse consultar o tempo aos comandos dos seus aviões.

 

O primeiro Cartier Santos, inovação em relojoaria

Louis Cartier levou à risca a máxima do seu pai. A mesma ditava que “um desenho original serviria de força criadora para o desenvolvimento de um negócio multigeracional”. O resultado foi um relógio com um mostrador legível e com os clássicos numerais romanos, mas com uma robusta caixa em ouro “redonda-quadrada” que se antecipou à era Art Déco, misturando elementos industriais e inovadores, como os parafusos à vista na lunete, que seguravam o vidro e que são hoje um elemento presente em muitos relógios casual-chic.

Outros elementos que se tornaram tipicamente Cartier estão igualmente presentes, como a escala de minutos ao estilo caminho de ferro e a coroa com uma safira cabouchon. Mais tarde, seguiram-se outros modelos icónicos, como o Tank ou o Tortue. Mas foi o Santos a iniciar a odisseia da Cartier na relojoaria.

 

A transformação em objeto de luxo

Nos anos 70, surgiram os relógios desportivos de luxo em aço. Tinham acabamentos de alto nível e preços muito próximos de modelos clássicos em ouro. Para entrar neste segmento, o então diretor de Marketing da Cartier escolheu o Santos.

Sendo a Cartier, e estando em plena era da explosão do jet-set, a entrada teria de ser feita com estrondo. O Santos foi então redesenhado em 1978.

Em lugar da correia em pele, surgiu uma ousada pulseira em metal integrada. Cada elo tinha dois imponentes parafusos visíveis, a combinar com os parafusos da lunete. Mas a ideia mais vanguardista era outra.

O departamento criativo da Cartier desenvolveu uma versão bicolor, com elementos em aço e outros em ouro (nomeadamente a lunete e os parafusos), criando um sucesso instantâneo. Hoje, não há praticamente nenhuma marca que não tenha versões aço/ouro de alguns dos seus modelos.

Em 1979, no ambiente vibrante de Nova Iorque, foi organizada a “Santos Night”, no enorme Armory Building. Estiveram presentes 500 convidados, entre eles estrelas das artes, música e literatura.

Os relatos são de uma festa épica, com uma exposição de aviões vintage (incluindo o Demoiselle desenvolvido por Santos-Dumont). Destacaram-se também um bolo de cinco andares e um balão de ar quente suspenso. Aos comandos da mesa de mistura, encontrava-se o famoso DJ parisiense da época, Jean Castel.

Rapidamente o Santos de Cartier, como passou a ser chamado, se tornou presença comum no pulso de artistas, estrelas de rock e homens de negócios, bem como membros da realeza.

 

O Santos 100

No ano 2004, a Cartier, com a habitual ousadia, renovou o seu ícone. Nasceu então o Santos 100, em pleno centenário do modelo. O Santos ganhou mais “corpo”, especialmente no modelo grande. Acompanhou, assim, a tendência de aumento no tamanho dos relógios que se vivia na época.

As correias em pele de crocodilo perfeitamente integradas na caixa, com um fecho de báscula que acompanhava o desenho do relógio, formavam um conjunto muito atrativo. Sublinhavam, ademais, a atenção ao detalhe que a Cartier nunca descura.

A existência de vários tamanhos e versões foi fundamental para o seu enorme sucesso. Havia versões automáticas simples ou cronógrafo, em aço, aço/ouro, ouro, aço com ADLC negro e titânio ou ouro. Havia ainda versões de joalharia e até um modelo com o célebre movimento esqueleto da divisão de alta relojoaria da Cartier, com as pontes a formar os números romanos, numa demonstração de grande capacidade técnica e bom gosto.

Não obstante ser atualmente um modelo descatalogado, a Cartier criou uma ação absolutamente inédita na indústria relojoeira. No lançamento do novo Santos de Cartier, convidou todos os clientes do Santos 100 a fazerem uma revisão geral gratuita aos seus relógios, com oferta de componentes, para que os seus proprietários possam continuar a usá-los em perfeitas condições.

 

O Santos de Cartier dos tempos modernos

O Santos de Cartier apresentado em 2018 não foi apenas uma atualização estética. Seguiu o conceito-mãe de Louis Cartier: a base para a criação de novas ideias. A lunete passou a acompanhar o desenho do relógio até à pulseira e uma curvatura subtil conferiu-lhe maior conforto no pulso, mas foram as novidades técnicas que mereceram maior destaque.

Pela primeira vez, todas as versões do Santos passaram a ter um movimento manufatura Cartier, o 1847 MC, antimagnético, característica pouco comum neste segmento.

A Cartier decidiu ainda fornecer de origem todos os modelos, em aço e em aço e ouro, com pulseira metálica e correia em pele, para que este fosse um relógio pensado para todas as ocasiões. As correias passaram a contar com o sistema patenteado QuickSwitch, que permite mudar de pulseira em casa com um único gesto, enquanto as pulseiras metálicas ganharam o sistema SmartLink, que possibilita retirar ou acrescentar elos sem ferramentas complexas.

 

Da arquitetura intemporal ao lançamento do Chronograph

Durante vários anos, a arquitetura fundamental do Santos manteve-se praticamente inalterada. Em vez de redesenhar, a Cartier expandiu a coleção através de novas complicações, materiais, cores e acabamentos, um percurso coerente com a filosofia da marca de preservar um desenho icónico enquanto explora novas possibilidades técnicas.

Dual Time e titânio: Novas leituras do Santos

Em 2024, a Cartier apresentou pela primeira vez uma versão Dual Time do Santos, pensada para quem viaja com frequência entre fusos horários. A caixa em aço, com 40,2 mm de diâmetro e 10,1 mm de espessura, mantém o desenho reconhecível da coleção, mas ganha um subcontador às 6 horas que assinala a hora de um segundo fuso, complementado por um indicador de dia e noite.

Mais recentemente, o titânio passou também a integrar a coleção, não apenas na caixa, mas, pela primeira vez, na pulseira. O titânio de grau 5 confere maior dureza e resistência aos riscos, além de reduzir significativamente o peso: a versão em titânio chega a pesar cerca de 50 gramas menos do que o modelo equivalente em aço. O titânio, pela sua cor e acabamento, confere a este Santos um aspeto mais desportivo, para o qual contribui também a sua lunete que, ao contrário das versões de aço, não é polida.

 

O lançamento do Santos de Cartier Chronograph

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Em 2026, na Watches and Wonders Geneva, a Cartier apresentou uma nova geração do Santos de Cartier Chronograph, reformulando significativamente a versão apresentada em 2019. A nova versão, de tamanho LM (Large Model), reduz as dimensões da caixa para 47,5 mm x 39,8 mm, com 11,6 mm de espessura – um valor notável para um cronógrafo automático – aproximando visualmente o cronógrafo da linguagem clássica da coleção.

A atualização vai além do tamanho. A configuração pouco convencional da geração anterior dá lugar a uma disposição mais clássica, com dois botões junto à coroa: um para o arranque e a paragem e outro para o reset do cronógrafo.

O mostrador tricompax foi igualmente reformulado, com os pequenos segundos às 6 horas, o contador de minutos às 3 horas e o contador de horas às 9 horas, cada um emoldurado a ouro amarelo ou ródio consoante a versão.

No interior, o calibre automático 1904-CH assegura 47 horas de reserva de marcha, com uma arquitetura de roda de colunas e embraiagem vertical que garante maior precisão e suavidade no acionamento do cronógrafo.

Este novo Santos Chronograph está disponível em três versões – totalmente em aço, em aço com detalhes em ouro amarelo, e numa versão integralmente em ouro amarelo de 18 quilates.

A nova complicação junta-se ao percurso do Santos sem comprometer o desenho original e reforça o que sempre distinguiu este relógio: a combinação entre um desenho reconhecível e a vontade constante de inovar.

 

Machado Joalheiro convida-o a conhecer de perto a coleção Cartier Santos e a descobrir um relógio em que história, design e evolução técnica se encontram.

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